sexta-feira, 1 de agosto de 2014

CÔNEGO ESTANISLAU PIECHEL - PATRONO DA CASA DE CULTURA DE FLORÂNIA

De Família cristã e de muita fé, logo despertou em Estanislau o desejo de abraçar a vida religiosa.
“Quero fazer isto”, decidiu. Uma vocação de primeira hora. Uma certeza nunca abalada. Um chamado.

Aos 21 anos entrou no seminário de Bomblin. A partir daí, foram os anos de rígida formação intelectual e espiritual.
Animado pelo vento da fé, pela certeza de estar trilhando em caminhos escolhidos por Deus, dois anos antes de sua ordenação, Estanislau veio para o Brasil fazer missão. Com o início da 2ª Guerra Mundial, Estanislau não teve como retornar ao seu país de origem. Permanecendo no Brasil, iniciou suas atividades como padre na Paróquia Sagrada Família, no Alecrim em Natal.

A convite de Dom José Delgado, bispo da Diocese de Caicó, veio administrar a paróquia de São Sebastião (Florânia) dando assistência também aos cristãos de Jucurutú e São Vicente.

Dia de festa, muita alegria, 05 de março de 1945, o povo católico floraniense foram à entrada da cidade receber o novo pastor. A Igreja estava repleta, o sino tocou e sob a proteção de São Sebastião, é celebrada a Santa Missa.

Rígido, mas comprometido com o Projeto de Jesus Cristo, o Con. Estanislau vai conquistando seus paroquianos. Filho de pais agricultores, logo se identificou com o homem do campo, dedicando o coração e a alma ao povo sofrido deste sertão seridoense, inclusive incentivando a prática da agricultura diversificada, cultivando nas terras da Serra de Santana, o arroz, feijão, uva, café, agave e o algodão.

Incansável em suas atividades, batalhador em todas as frentes, Con. Estanislau desenvolveu diversas atividades que até hoje são marcas de referência para o povo seridoense. Como gostava de geologia, saía sempre com seu equipamento “mineralithy” a procura de minérios. Em uma destas viagens encontrou a “Xelita” (Tungstênio) nas terras de seu amigo Tomaz Salustino, onde hoje é a Mina Brejui (Currais Novos).

O Con. Estanislau recebeu de Deus, com o dom do sacerdócio, a missão de proclamar suas maravilhas por meio das mais variadas formas. Foi pioneiro na atividade da apicultura em nossa região, produzindo o melhor mel do Seridó, com a criação de abelhas: Italiana e Jandaíra. Ele sempre dizia: “abelha não faz mal, faz mel”.

Como um grande mensageiro de Cristo, criou a Escola Pio X, ou Escola dos Pobres. Além da instrução primária, todos recebiam orientação religiosa. Movido pelo seu sentimento de solidariedade, distribuía material escolar, farda e escovas para os alunos da escola por ele criada.

Todo aquele que ensina sabe que não há maior ato de doação que transmitir conhecimentos. Essa foi uma das incumbências o qual Con. Estanislau se lançou. Lecionou o francês na Escola Estadual Cel. Silvino Bezerra.

O Con. Estanislau tinha um imenso desejo de dizer as coisas de Jesus, as coisas de Deus. Essa vontade o fez trabalhar, suar, dedicar horas, dias, noites ao serviço sacerdotal.

Con. Estanislau foi indiscutivelmente uma figura humana extraordinária. Religioso, agricultor, professor, apicultor, pescador, produtor cultural e emérito evangelizador, poço profundo do qual jorrou talento e criatividade em abundância e de modo imprevisível. Sua missão foi gloriosa. Com certeza, no decorrer de sua vida, muitas pessoas conheceram Deus por intermédio de suas palavras de amor.

Tenho certeza de que, assim como eu, existem em Florânia centenas de pessoas que tem pelo menos uma recordação de um momento vivido com o Con. Estanislau.
A simplicidade foi uma de suas virtudes, o desejo de servir, ensinar, libertar e tornar os outros mais felizes, foi o que sempre realizou durante mais de 60 anos de vida sacerdotal, servindo as cidades de Acari, Cruzeta, Florânia, São Vicente e Jucurutú.


Josimar Tavares de Medeiros
(Pedagogo, especialista em Educação e Linguagem, Produtor Cultural)
FONTE -INFORSIDE

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